segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lisboa, cidade serpente

Oh! Lisboa, cidade serpente

Noite com cheiro a madrugada
Quando peixe ainda é peixe,
E a gente ainda o sente...

Pés descalços na calçada gasta
Por marés da nossa gente,
Em vida e alma de vida basta...

Este Ser amado chamado Lisboa
Feito com bairros em mente,
Fado criado pela nossa gente.

Oh! Lisboa, cidade serpente

Coloridas vozes esculpidas
Nestas montanhas de vista,
Sem sentido de pista.

Lisboa, cidade serpente
Criado pelo povo que é a minha gente.
Oh! lisboa, cidade serpente
Não ha quem mente
Sobre ti, Lisboa...
Cidade que sente.

ZERO

Sentir em vão o que foi e vai...
Começar no ponto Zero onde o deserto é apenas um reflexo de tudo aquilo que não é. E o que é, sou eu, que trago nos bolsos da minha consciencia, consciencia essa que é experienciada no passado porque nesse ponto
0 somente é aquilo que é no momento, em si mesmo.
Ver com sentimento, sentir com visão, onde a alma fala somente em verso e o pulmão a vida o traz... porque de mente só pensamentos em vão que passam como um vento que mente...
Criança em mim que vê o que realmente ali está sendo a realidade uma pagina sem cor e o infinito um batimento cardiaco do meu, e só meu universo... em que tu e eu, somos apenas eter...

Não olhes para mim te peço!

Não olhes para mim te peço!
Já não sou menina, sou mulher...

Anos de vivência pintam me de branco,
Depressões e rasgos trago na minha pele,
Filho do ventre trago no meu peito.

Envenheci dizem...
Eu sinto-me menina sendo mulher,
Trago todas as paixões e sonhos no meu ser...
Mas o corpo não o olhes, te peço!

Não olhes para mim te peço!
Já não sou menina sou mulher...

E sofro a ilusão quando me dizem:
Olha tens de ser menina!
Porque mulher se o fores...
Já foste porque o és!

Estrias de rasgos de morte,
já passaram por aqui...
Gritos de desilusão os foram,
Como tantos tempos o violam.

Mas te peço nao olhes minhas marcas,
E se o fizerem toma conta de mim...
Pois estou cansada do vicio de me dar
E recebo agora o que de mim é meu.

Vergonha de não ser
O que me ensinaram a ser,
Deste o coração ás unhas pintar,
O que não o faço porque sou mulher...
E menina só a trago no meu envelhecer.

Não olhes para mim te peço!
já não sou menina, sou mulher...

Hino á Mulher!

Estou cansada de calçar meus pés,
Meu corpo pesa por ser mulher.

Tudo é demasiado...
Uns dizem que é do gênero,
Outros que é do emocional,
A quem diga ainda que é do Karma.
Não sei! Pesa...
Pesa por não ter aquilo que é suposto ter.
Por aquilo que vejo e o que tenho de ser.
Alguns até culpam os cosmeticos, fashion designers e afins.
Outros pregam que é apenas o medo de envelhecer.

Não sei! Pesa...
E estou cansada de calçar os meus pés...
Meus pés andam sem saber por onde ir,
Criam caminhos sem saber do eu.

Aí mulher!
Sentido é este fado que me faz mulher.

Onde


Fogo que ainda é fogo,
Agua que ainda é agua,
Criação não criada,
Terra que ainda é viva.
Humanos que são humanos,
Crianças que perguntam sobre as estrelas...
Respeito pelo que se faz,
Alma pelo que se diz,
Prazer do que se colhe da terra plantada.
Gente com arte no coração sem armas de proteção.
Curiosidade pelo saber e nada para esconder.
Francos por natureza, criadores por necessidade.
Demenos e gratos por viver...
Serenos por alimentar sua vontade de ser.

Stress de não ter pressa por pouco saber.
Tempo se tornou em seca,
Hora em decimas de o ser.
Mantos de preocupação,
Manobras para não se deixar ver.