terça-feira, 12 de maio de 2015

Mãe


Execrável está dor que sinto.
Execrável este momento que vivo.
Mesmo com muito amor a tudo isto,
Me sinto crua ao tudo o que vivo.
Será que disse demais?
Será que disse de menos?
Será que me odeias por rezar?
Por rezar...
Para partires em paz.
Medo por te ver partir,
Medo por não saber...
O que te vai na mente.
Se queres ir ou ficar.
E aceitar...
Aceitar o que tu quiseres,
E sem te julgar,
Aceitar contigo.
Culpa por te ver partir,
e sem de nada saber fazer.
E do pouco que sinto que te dou,
não saber dar mais.
Oh Minha mãe!
Me perdoa por não saber melhor,
Porque te prometo que se o soubesse...
O faria.
Me perdoa...
Porque no leito da tua morte,
Mais rezo por tu te ires do que ficares.
Talvez por meu egoísmo,
De não aguentar ver-te assim.
Por não aguentar ver-te assim,
Já não tu.
Já não aquilo que eu conhecia em ti.
E de aceitar,
Aceitar como estás.
Como estás agora,
Nessa cama de memorias em que te deitas,
Sem já não poderes rir.
Ainda ouves,
Mas não respondes.
Ai! Culpa!
De te estar a dizer coisas que não queres ouvir.
Me perdoa,
Porque tudo o que digo,
Digo com a esperança de te dar palavras certas.
E se forem erradas...
Me perdoa,
Que eu de nada sei.
Me perdoa, minha mãe,
Por não conseguir estar mais aí,
Ao teu lado...
Por ser demasiado doloroso,
Te ver assim,
Nessa cama cheia de coisas por dizer.
Me perdoa minha mãe,
Por não ter a força de te ver lutar...
Com todas as tuas forças,
Por mais um dia.
Dor de te ver assim,
Dor de não saber,
Se queres mais ou menos,
Desta vida.
Que se liga aqui por um fio.