sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Soltas

Sacola na mão,
Destinos da sua pátria,
Desconheçem a terra onde nascem.
Terras por onde passou o dramatugo.
Água vai na boca,
Listas em rima,
Longo discurso surdo,
Nomes em eco seco.
Em que ano andas?
Palavras sem dicção,
Sem percepção do seu condato.
Som apenas som...
Tick tack! melódico...
Deambolar de palavras.
Oco, vázio, desprezo...
Cristal sem luz,
Cruz sem Jesus,
Criação sem parto.
Espanto de o não ser.
Realidade de o crer.
Falcidade intelectual do ter.
Filho do ventre oco,
Criação sem foco.
 Animação de valores...
Sem voz,
Sentido de vida sem raiz.
Finalmente o final...
De uma morte vivida.
Cara a cara,
Sangue do sangue,
Voz da voz.
Que vivi em ti e em mim,
O que não é de nós.

Escrito por escrito,
Na alma de uma caneta.

Almas cansadas

Almas cansadas de tanto andar,
Pés descalços que só querem namorar,
Crianças perdidas por não ser ouvidas,
Pais revoltados por dançarem em dividas.
Oh! Gente minha!
Que havemos de fazer,
Com a nossa vida?

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lisboa, cidade serpente

Oh! Lisboa, cidade serpente

Noite com cheiro a madrugada
Quando peixe ainda é peixe,
E a gente ainda o sente...

Pés descalços na calçada gasta
Por marés da nossa gente,
Em vida e alma de vida basta...

Este Ser amado chamado Lisboa
Feito com bairros em mente,
Fado criado pela nossa gente.

Oh! Lisboa, cidade serpente

Coloridas vozes esculpidas
Nestas montanhas de vista,
Sem sentido de pista.

Lisboa, cidade serpente
Criado pelo povo que é a minha gente.
Oh! lisboa, cidade serpente
Não ha quem mente
Sobre ti, Lisboa...
Cidade que sente.

ZERO

Sentir em vão o que foi e vai...
Começar no ponto Zero onde o deserto é apenas um reflexo de tudo aquilo que não é. E o que é, sou eu, que trago nos bolsos da minha consciencia, consciencia essa que é experienciada no passado porque nesse ponto
0 somente é aquilo que é no momento, em si mesmo.
Ver com sentimento, sentir com visão, onde a alma fala somente em verso e o pulmão a vida o traz... porque de mente só pensamentos em vão que passam como um vento que mente...
Criança em mim que vê o que realmente ali está sendo a realidade uma pagina sem cor e o infinito um batimento cardiaco do meu, e só meu universo... em que tu e eu, somos apenas eter...

Não olhes para mim te peço!

Não olhes para mim te peço!
Já não sou menina, sou mulher...

Anos de vivência pintam me de branco,
Depressões e rasgos trago na minha pele,
Filho do ventre trago no meu peito.

Envenheci dizem...
Eu sinto-me menina sendo mulher,
Trago todas as paixões e sonhos no meu ser...
Mas o corpo não o olhes, te peço!

Não olhes para mim te peço!
Já não sou menina sou mulher...

E sofro a ilusão quando me dizem:
Olha tens de ser menina!
Porque mulher se o fores...
Já foste porque o és!

Estrias de rasgos de morte,
já passaram por aqui...
Gritos de desilusão os foram,
Como tantos tempos o violam.

Mas te peço nao olhes minhas marcas,
E se o fizerem toma conta de mim...
Pois estou cansada do vicio de me dar
E recebo agora o que de mim é meu.

Vergonha de não ser
O que me ensinaram a ser,
Deste o coração ás unhas pintar,
O que não o faço porque sou mulher...
E menina só a trago no meu envelhecer.

Não olhes para mim te peço!
já não sou menina, sou mulher...

Hino á Mulher!

Estou cansada de calçar meus pés,
Meu corpo pesa por ser mulher.

Tudo é demasiado...
Uns dizem que é do gênero,
Outros que é do emocional,
A quem diga ainda que é do Karma.
Não sei! Pesa...
Pesa por não ter aquilo que é suposto ter.
Por aquilo que vejo e o que tenho de ser.
Alguns até culpam os cosmeticos, fashion designers e afins.
Outros pregam que é apenas o medo de envelhecer.

Não sei! Pesa...
E estou cansada de calçar os meus pés...
Meus pés andam sem saber por onde ir,
Criam caminhos sem saber do eu.

Aí mulher!
Sentido é este fado que me faz mulher.

Onde


Fogo que ainda é fogo,
Agua que ainda é agua,
Criação não criada,
Terra que ainda é viva.
Humanos que são humanos,
Crianças que perguntam sobre as estrelas...
Respeito pelo que se faz,
Alma pelo que se diz,
Prazer do que se colhe da terra plantada.
Gente com arte no coração sem armas de proteção.
Curiosidade pelo saber e nada para esconder.
Francos por natureza, criadores por necessidade.
Demenos e gratos por viver...
Serenos por alimentar sua vontade de ser.

Stress de não ter pressa por pouco saber.
Tempo se tornou em seca,
Hora em decimas de o ser.
Mantos de preocupação,
Manobras para não se deixar ver.

terça-feira, 12 de maio de 2015

Mãe


Execrável está dor que sinto.
Execrável este momento que vivo.
Mesmo com muito amor a tudo isto,
Me sinto crua ao tudo o que vivo.
Será que disse demais?
Será que disse de menos?
Será que me odeias por rezar?
Por rezar...
Para partires em paz.
Medo por te ver partir,
Medo por não saber...
O que te vai na mente.
Se queres ir ou ficar.
E aceitar...
Aceitar o que tu quiseres,
E sem te julgar,
Aceitar contigo.
Culpa por te ver partir,
e sem de nada saber fazer.
E do pouco que sinto que te dou,
não saber dar mais.
Oh Minha mãe!
Me perdoa por não saber melhor,
Porque te prometo que se o soubesse...
O faria.
Me perdoa...
Porque no leito da tua morte,
Mais rezo por tu te ires do que ficares.
Talvez por meu egoísmo,
De não aguentar ver-te assim.
Por não aguentar ver-te assim,
Já não tu.
Já não aquilo que eu conhecia em ti.
E de aceitar,
Aceitar como estás.
Como estás agora,
Nessa cama de memorias em que te deitas,
Sem já não poderes rir.
Ainda ouves,
Mas não respondes.
Ai! Culpa!
De te estar a dizer coisas que não queres ouvir.
Me perdoa,
Porque tudo o que digo,
Digo com a esperança de te dar palavras certas.
E se forem erradas...
Me perdoa,
Que eu de nada sei.
Me perdoa, minha mãe,
Por não conseguir estar mais aí,
Ao teu lado...
Por ser demasiado doloroso,
Te ver assim,
Nessa cama cheia de coisas por dizer.
Me perdoa minha mãe,
Por não ter a força de te ver lutar...
Com todas as tuas forças,
Por mais um dia.
Dor de te ver assim,
Dor de não saber,
Se queres mais ou menos,
Desta vida.
Que se liga aqui por um fio.